Um baú velho, coberto de poeira, perdido num sótão de uma casa velha no meio do canavial. Os marimbondos e as aranhas conviviam no meio das latas, paus e diversos objetos em desuso e sujos que por ali se encontravam amontoados.
Dentro do baú estavam jornais e papéis velhos bem antigos.
Entre eles havia um com os dizeres: “John-Welsh. Ferebe-Irish”.
Era só, mas o bastante para fazer pulsar com profunda emoção e curiosidade o coração de uma senhora de cabelos grisalhos e olhos azuis que sobre o baú se debruçava perspicazmente.
Não era a última vez que isso iria acontecer à jornalista Betty Antunes de Oliveira.
Aquele papel com os nomes John e Ferebe seria a pista que a levaria ao mundo fascinante de pesquisa. Encontrar documentos e dados antigos passaria a ser um dos grandes alvos de sua vida nos quase
Quarenta anos que se seguiriam.
Muitos outros fragmentos do passado começaram então a ser reunidos, formando uma linha histórica bem mais abrangente e significativa do que pretendia um pequeno projeto inicial de pesquisa genealógica.
Centelha em Restolho Seco é o resultado desse esforço.
Com seu texto, a autora aguça a curiosidade do leitor, dirigindo-a para a segunda metade do século passado.
Diversas famílias do Sul dos Estados unidos da América emigraram para o Brasil, chegando a Santa Bárbara, São Paulo, a partir de 1866.
Ali ocorreu algo que talvez muito poucos houvessem imaginado: o começo do trabalho Batista no Brasil o deslanchar de uma obra grandiosa.
Mais do que uma compilação de fatos conhecidos do passado, o livro apresenta pontos totalmente inéditos, abre novas portas para a pesquisa e fez soprar nova brisa sobre alguns assuntos tidos como certos por muitos dos que se interessem pelos primórdios da vida dos batistas no Brasil.
Quer o leitor amante da história, quer o pesquisador atento hão de se sentir perplexos frente ao cenário de lutas, sofrimentos, idéias e vitórias que se descortina.
Centelha (ê) sf 1 partícula ígnea ou iluminada que salta de um corpo em brasa; fagulha, faísca; 2 inspiração ou intuição súbita;
Restolho (ô) sm 1 palha que fica no campo após a colheita; 2 parte do caule das gramíneas que fica enraizada após a ceifa; 3 erva que nasce de novo depois de ceifada.
Essas duas palavras, apesar de se assemelharem na sonoridade, jamais deveriam ou poderiam ficar próximas. O resultado de uma eventual aproximação seria, por certo, epopéico. Centelha e restolho. E assim foi, ao menos em duas ocasiões no contexto deste livro. O primeiro encontro se deu em uma pequena mas poderosa oração. Oração de T. J. Bowen quando suplicou a Deus, referindo-se ao trabalho missionário: “Meus fracos esforços parecem como gota d’água na areia do deserto. Possa o Senhor convertê-los como uma centelha em restolho seco”.
O segundo encontro aconteceu na história e acontece ainda. Disso trata Centelha em Restolho Seco: do encontro da centelha, da fagulha missionária presente no espírito dos primeiros batistas no Brasil, com o campo seco pronto para ser alcançado e inflamado. Trata também da resposta àquela oração, não apenas nos campos do Brasil, mas de todo o mundo: o evangelho incendiando nossa vida, transformando, produzindo esperança.
”A reflexão histórica de Centelha em Restolho Seco, agora revisado, realça de modo singular a importância da organização da primeira igreja batista em solo pátrio, na cidade de Santa Bárbara do Oeste, SP, em 10 de setembro de 1871, para a História dos Batistas no Brasil.
Esta obra que nós leitores temos em mãos é mais do que o interesse de uma pessoa pela história de sua família; mais do que a publicação de informações garimpadas ao longo dos anos; mais do que a expressão de um trabalho intelectual e espiritual sério, profundo e abrangente. Esta obra é uma narrativa da atuação da forte mão de Deus na história do Seu povo”.
Pr. Fausto Vasconcelos
Presidente da Convenção Batista Brasileira, Pastor da Primeira Igreja Batista no Rio de Janeiro
”Há livros que renovam a área de estudos a que pertencem. Tal é o caso deste livro. Betty Antunes de Oliveira faz o que todo historiador deve fazer: fazer as fontes falarem, mesmo que isso signifique descer aos baús (dos documentos) e subir aos céus (em viagem em busca de pistas aparentemente inexpressivas). A história dos batistas (e por que não dizer dos protestantes?) no Brasil é uma antes e outra depois de Centelha Em Restolho Seco”.
Israel Belo de Azevedo
Historiador, autor de A Celebração do Indivíduo, Edições Vida Nova (2004).
Professor Reitor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro.